sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Aberto do Brasil - Itaúna (2)

Na resenha anterior eu reclamei de minha atuação pífia e principalmente de minha falta de interesse (?!) ou preguiça. Mas isto não quer dizer que não houve um ou outro momento interessante ou curioso, pelo menos do ponto de vista capivarístico!

Após as rodadas de sábado fomos relaxar nos botecos da vida e um dos assuntos abordados foi o perigo de se oferecer empate, devido ao que aconteceu com o amigo Julio Eimard. Falou-se em nervosismo, fator psicológico, obrigação de provar que a posição é igual, etc. Claro que não chegamos a um denominador comum, mas o papo foi interessante e esclarecedor.

O diagrama abaixo é de minha partida da última rodada contra Fernanda Rodrigues. Após um plano duvidoso na abertura e alguns lances fracos, acabei perdendo a iniciativa, mas depois de algumas trocas ficamos apenas com o material pesado e uma posição equilibrada.

Posição após 28.Rxc6

Remember Julio! estava gravado na minha cabeça, portanto fiquei na minha, aguardando os acontecimentos. Fernandinha simplificou tudo com 28... Rb2 29. R6c2 Rxc2 30. Rxc2 Rb1+ 31. Rc1 Qd3 e então eu não resisti, joguei 32. Qxd3 e ofereci empate. Claro, se ela quisesse forçar a vitória teria mantido as peças! Fiquei surpreso com a recusa instantânea! Ora, menina, se alguém tem alguma vantagem aqui, esse alguém sou eu, pô! (Depois, no rápido post-mortem, eu disse que ela estava certa, não custa tentar um pouco mais). Assim, continuei com cautela... Remember Julio!.

Seguimos 32... Rxc1+ 33. Qf1 Rxf1+ 34. Kxf1 Kf8 35. Ke2 Ke7 36. Kd3 Kd6 37. Kd4 h5 38. e4 dxe4 39. Kxe4 Ke6 40. h4 f6 aqui eu analisei Kf4 seguido de f3, g4, etc., mas achei que também dava empate e fui pelo mais simples. 41. f4 Kd6?!

Posição crítica após 41... Kd6?!

Depois de analisar por volta de 15 (tensos) minutos joguei 42. Kd4 Ke6 43. Ke4 Kd6 44. Kd4 e a partida empatou por repetição de lances 1/2-1/2.

Alguém que estava ao lado da mesa acompanhando o final disse "acho que com 42.f5 dava pra ganhar". Retruquei dizendo que pelas minhas análises dava empate. Fernandinha concordou e ficamos assim. Preferi não discutir a posição, temendo que meus cálculos pudessem estar errados!

De volta ao diagrama acima, vejam só a tensão por que passou este velho capivara enquanto analisava a posição e também a agonia do depois. Sigam meu raciocínio:

Fernandinha tá brincando com fogo, eu esperava 41... f5+ e uma singela oferta de empate. Agora... isto pode? Chequei a levantar a cabeça e procurar por Luciano Melo pelo salão - costumamos sacanear um ao outro no blitz com essa perguntinha marota!.

Debrucei-me no tabuleiro e... xô preguiça! Vamos lá: Empurro 42.f5, ela só tem g5, qualquer outro perde, é fácil de ver. Eu tomo, ela toma 43. hxg5 fxg5, não temos opções. E agora? ôpa, empurro 44.f6 Ke6 45. f7! Kxf7 46.Kf5, tudo forçado. Êpa, vamos rever tudo com calma. Eu: Rei em f5 e peão em g2, ela Rei em f7 e peões em g5 e h5, prontinhos pra serem capturados!


Posição da análise após 46.Kf5


Mentalizei a posição e refiz as análises. Ela joga... gastei uns 3 minutos pra conseguir visualizar o simples 46... h4! 47.Kxg5 h3! 48.gxh3 e me sobra um inútil peão da torre. Depois eu vi que mesmo jogando 46...g4 as negras ganham a oposição. Putz! escapou, Fernandinha!




Claro que até chegar em casa e conferir as análises com Ribamar foi uma agonia danada! E ainda tomei um baita susto quando o homem de lata sapecou interrogações duplas na repetição de lances! Mas foi só susto mesmo... assim espero.... Valei-me São Cipriano!

2 comentários:

Serjao disse...

Marão, meu velho, vc está mesmo jogando com preguiça e precisando rever isso. Fala no empate o tempo todo e a menina tentando forçar a posição, se arriscando, é claro mas, jogando com ousadia e ambição. Após o perigoso 41... Kd6 (ela não queria mesmo empatar), é difícil calcular com precisão o final mas, se alguém podia ganhar era vc e, 42.f5 tinha que ter sido tentado para ter certeza do empate ou talvez descobrir que havia linha de ganho para as brancas. Vc não tinha nada a perder e existia a dúvida quanto a uma possível vitória. Faltou-lhe, o que sobrava nela: ambição.

Masegui disse...

Certíssimo, Serjão, faltou ambição, vontade de ganhar! Depois eu ví isso. Não custava nada forçar um pouquinho e dar uma chance pra menina errar.

Estou deixando as outras alegrias suplantarem a maior de todas que é vencer uma partida de xadrez!

Obrigado, amigão!