quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Balanço e promessas...

Este post seria publicado dia 24, mas todo o domínio blogspot.com ficou inacessível pra boa parte do país por mais de 24h seguidas. Depois, voltou por algum tempo e saiu do ar novamente. Agora está assim, vai e volta de forma intermitente. Não está confiável... belo presente de Natal!

Por falar nisso, espero que todos tenham passado um ótimo natal e que o ano novo seja muito feliz e cheio de coisas boas!

Final de ano é tempo de balanços, promessas e planos para o futuro. Aproveitei a ocasião pra fazer um pequeno levantamento de minhas atividades enxadrísticas nos últimos tempos e alguns planos para 2010.

Balanço

Voltei a participar de torneios em abril de 2007, após um longo e tenebroso inverno - 18 anos! Considerando apenas partidas oficiais, sob estritas regras de torneio, eis um resumo:

2007 = 11 -> 2 torneios, 1 rápido e 1 Classificatório do Camp. Mineiro
2008 = 11 -> 2 torneios, 1 Classificatório e 1 Semifinal do Mineiro
2009 = 12 -> 2 torneios Abertos do Brasil

Total: 12 vitórias (35,3%) - 14 empates (41,2%) - 8 derrotas (23,5%)
Apenas 34 partidas em 3 anos! Muito pouco, né gente! Espero conseguir jogar mais daqui pra frente.

Planos

- Os objetivos são os mesmos: jogar muito, divertir bastante, fazer novos amigos e aprender mais.
- Superar as limitações: idade, preguiça, indisciplina...
- Jogos on line: jogar menos blitz e mais pensadas (15 minutos ou mais).
- OTB: a ordem é dedicação, jogar bem xadrez, a farra com os amigos tem que ficar em segundo plano.
- Analisar as partidas detalhadamente (sem computador) e só depois conferir com engines.
- Ano novo, vida nova. A palavra mágica é simplificar!
- Valei-me São Cipriano! :)

Bem, é isso. Feliz 2010 e muito xadrez para todos!

domingo, 13 de dezembro de 2009

Capivara de molho!

Tenho uma notícia boa, outra ruim, qual vocês querem primeiro? :)

Segunda-feira, 07/12, tornei-me o aposentado mais fresco do Brasil! Agora é oficial. Com a vantagem de não poder ser taxado de vagabundo pelo FDP, digo, FHC, pois tenho mais de 50 anos! Agora é só beber cachaça e jogar xadrez. Êta ferro, tô véio, mesmo!

Na terça sofri um acidente doméstico... lavando um prato! Ele escorregou da mão e, sabe aquela reação instintiva de tentar segurar algo que cai? pois é, me lasquei! Corte profundo no pulso esquerdo e confusão armada: sanque pra todo lado, patroa desesperada, menino pulando da cama, enrola pano daqui, estanca sangue dali, um auê danado! O capivara ferido foi quem se manteve mais calmo!

Corri pro hospital (aqui do lado) onde passei três dias! Rompeu tendão, nervos e foi preciso cirurgia. Ainda tomei pau no risco cirúrgico pois descobriram que eu tenho um problema na "válvula mitral" - eu nem sabia que tinha esse troço! Depois passei no exame de recuperação e fui operado.

A propósito, eu sempre digo que médico é igual mecânico de automóvel, sempre encontra um defeito. Você pode estar vendendo saúde, mas alguma coisinha ele acha. Segundo o "dotô" o problema no meu coração é simples e resolve-se clinicamente. Também pudera! Um lugar frequentado por Nastassja Kinski, Juliana Paes e afins não pode estar mal!

Claro que minha estadia no hospital não ia ficar barato, lá eu tenho muitos "amigos". Diziam pelos corredores que o acidente "foi um prato jogado pela patroa!" e outras gracinhas como "foi você que tentou o suicídio?". Eu mereço!

Foram três dias preso dentro de um quarto, sem fumar e beber. Não se pode viver assim! Eu já tinha frequentado hospitais algumas vezes, mas como figurante ou coadjuvante, como protagonista foi a primeira vez. Espero que seja a última!

E aqui estou eu: abstinência, antibióticos e digitando com uma só mão. O braço esquerdo fica pendurado por mais uns 20 dias. Valei-me são Cipriano!

PS.: O acidente aflorou minha veia poética (sem trocadilho, please):

Poeminha Acidental

O xadrez é como a vida
É uma luta renhida
E só vence quem labuta

Joga-se com uma mão só
(cacofonia? tenha dó)
E uma cabeça astuta

Ser um mestre é coisa rara
O que mais tem é capivara
Que nunca abandona a luta

Todo Capivara é igual
Sempre se acha o tal
E isto ninguém refuta

Capivara na cozinha, então
Com prato, bucha e sabão
Só tolera quem é biruta

É preciso estar ciente
Que haverá um acidente
Conselhos: jamais escuta

Mas se o descuido é fatal
O auto-elogio é normal:
Toma, seu filho da mãe! 


quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Campeonato Mineiro 2009

Neste último fim de semana (28 e 29/11) aconteceu em BH a semifinal do campeonato mineiro de 2009. Os resultados podem ser vistos na página da FMX.

Para minha alegria dois de meus amigos conseguiram a classificação para a final: Daniel de Freitas Castro (Ponte Nova) e Laerte Dias de Carvalho (Viçosa). Parabéns rapazes!

Uma coisa que me deixou intrigado foi a ausência de alguns nomes importantes do xadrez mineiro. Citarei apenas alguns que me lembro: de BH, MF João Bosco Ladeira, Sheridan Ribeiro e Nelson Castelo Branco. De Montes Claros, o MI Wellington Rocha e Sérgio Eduardo Oliveira, a sensação da final de 2008. De Uberaba, Xico Xadrez. De Lavras, Julio Bueno. De São Sebastião do Paraíso, a fera Evandro Amorim Barbosa (esse menino vai longe, pode escrever). E ainda os professores Gerson Peres Batista e Julio Lapertosa.

Também quero lembrar que várias regiões com bom movimento enxadrístico não tiveram representantes, como a Zona da Mata (Juiz de Fora), Leste de Minas (Valadares e T. Otoni), Norte de Minas (Janaúba) e Triângulo Mineiro (Uberlândia).

Afinal, qual será o problema para tão pouca participação nesta semifinal? Apenas 54 enxadristas disputaram as 10 vagas para a final. Gente, este é o mais importante evento do estado! É o torneio que define o Campeão Mineiro de 2009!

Vamos imaginar algumas possíveis razões: falta de divulgação? conflito de calendário? patrocínio? grana? o caráter amador do esporte? Este último motivo talvez seja o mais forte, uma vez que conheço alguns enxadristas que não participam de torneios por motivos profissionais. Se bem que este torneio, diferente do ano passado, foi jogado apenas sábado e domingo, o que, teoricamente, permitiria um maior comparecimento. 

Citei a questão financeira porque é claro que é um bom motivo, pois eu mesmo deixei de participar dos últimos torneios por falta de grana! Bem, eu sou apenas um velho capivara que não faz muita diferença,  embora faça número. No entanto, a presença de alguns dos nomes que relacionei acima iria abrilhantar ainda mais o evento.

Quero deixar bem claro que isto não é uma crítica à FMX, em absoluto. Acho que a atual direção está fazendo um excelente trabalho. Este ano foram realizados vários torneios classificatórios para o campeonato mineiro, muitos torneios do circuito escolar e ainda quatro Abertos do Brasil. Nunca nosso estado teve tantos torneios assim em um mesmo ano! Dê uma olhada no calendário 2009 e comprove.

Para finalizar fica a questão: o que precisa ser feito para que haja uma maior integração do xadrez mineiro e, principalmente, uma maior participação de nossos melhores enxadristas?

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Confissões... 2

O tema iniciado no post passado, sobre ler corretamente um livro de xadrez, traz à baila a questão de como surgiu essa idéia numa mente brilhante como a minha - com sarcasmo e cacofonia, please!

A verdade é que eu já vinha me cobrando isto há muito tempo. Estou sempre com um livro na mão, mas cada hora é um livro diferente. Porra, já que eu não consigo estudar de forma organizada, pelo menos posso tentar ler um livro do princípio ao fim. Deve ser mais útil. Como eu disse anteriormente, para não ficar maçante separei 5 livros, cada vez que eu pegar um deles terei que seguir de onde parei. Vamos lá, então:

1 - Ajedrez de entrenamiento - A Koblenz (148 páginas)
2 - El mundo mágico de las combinaciones - A Koblenz (139 páginas)
3 - El laboratorio del ajedrecista - A Suetin (146 páginas)
4 - Técnicas de ataque en ajedrez - R Edwards (93 páginas)

Os dois primeiros livros eu considero jóias raras! O autor, Alexander Koblenz, foi treinador de equipes soviéticas e assessor pessoal de M. Tal, quando este era campeão do mundo. O conteúdo dos livros são baseados nas aulas que o autor ministrava no clube de xadrez de Riga (Letonia). Um dado interessante: nos exercícios apenas se indica de quem é a vez de jogar, o leitor é que tem que descobrir se existe uma combinação, uma vitória ou mesmo um empate na posição. Segundo o autor, durante uma partida você não terá um sapo pra lhe dizer: "brancas jogam e ganham".

Os dois últimos são inferiores aos livros do Koblenz (IMHO), mas a temática é semelhante e é sempre bom ter um novo enfoque, uma visão diferente de um mesmo tipo de assunto.
Como vocês podem ver, os livros são relativamente pequenos, nenhum deles passa de 150 páginas. No entanto, alguns exercícios são bem pesados, principalmente os do Koblenz. Estou me lascando em um deles... "tô garrado". Como sou teimoso acho que vou terminar o ano sem conseguir resolve-lo!

Bem, tá faltando o quinto livro, que eu deixei por último de propósito:

5 - Xadrez Básico - Dr. Orfeu Gilberto D'Agostini (596)

É o supra-sumo, a obra-prima da literatura enxadrística em língua portuguesa! Um dos primeiros livros que comprei, o coitadinho tá velhinho, sofrido e todo grampeado, mas não falta uma página sequer, uma linha, uma letra! Claro que já o li várias vezes, mas sacumé, né... resolvi devora-lo novamente e desta vez de cabo a rabo!


O legal disso tudo é que agora a bagunça tá mais organizada. Não tem hora marcada, prazo estipulado, nada disso, mas quando pego um dos livros tá lá o marcador dizendo "você parou aqui, Capivara!" E olha que eu estou obedecendo direitinho!

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Confissões de um capivara

Folheando um livro de xadrez, fiquei intrigado com a abertura de uma partida. Fui conferir nos bancos de dados e, mesmo encontrando alguma coisa, não fiquei satisfeito. Resolvi recorrer ao google, o salvador da pátria quando o Chapolin Colorado não está disponível! Clica daqui, clica dali e duas horas depois me peguei assistindo vídeos antigos dos Beatles no You Tube!!

Pensei com meus grugumios: se um dia eu enfrentar essa abertura terei que cantar pro adversário "I want to hold your hand".

Brincadeiras à parte, isto vive acontecendo comigo. Eu sou assim, dispersivo. Acho que é por isso que nunca consegui estudar xadrez de uma forma mais metódica, organizada. Já tentei alguns métodos e até bolei um sistema legal, a fórmula mágica, que poderia ter ajudado se eu fosse mais disciplinado e persistente.

Interessante é que antes eu usava como desculpa a falta de tempo, o que não se aplica agora. Hoje minha justificativa é a idade. Já estou velho demais pra levar o xadrez a sério, o negócio é a diversão. Não deixa de ser verdade, mas vencer é sempre mais divertido, né mesmo?

Já pensei em contratar um instrutor, talvez seja uma experiência válida. Não por muito tempo, não posso me dar esse luxo, mas por um período suficiente para que ele me mostre alguns atalhos de forma que eu possa seguir sozinho, sem me perder. Acho que daria certo porque eu seria cobrado e teria que apresentar resultados... ou estaria jogando dinheiro fora.

Devaneios...

Quem aí já leu um livro de xadrez corretamente? digo, ler o livro todo, do princípio ao fim. Estudar as partidas, fazer os testes e exercícios, etc. Eu nunca fiz isto! Tenho um monte de livros e nunca estudei pra valer nenhum deles! Estou sempre folheando um ou outro, de forma desordenada. Vejo uma partida aqui outra ali, mas nunca profundamente. Exercícios, então, são raros os que pego pra valer. Fica tudo pra depois, pra quando eu tiver um tempinho... :)

Resolvi mudar isso. Separei alguns livros e deixei sobre a escrivaninha. Um deles seria o escolhido para ser lido/estudado do início ao fim, como se deve! Botei um marcador na primeira página de cada um deles e... opa, que tal usar todos? o estudo fica mais abrangente e menos maçante!

No xadrez tem uma máxima que diz que "é melhor um plano ruim do que nenhum plano" e isto também se aplica na questão do treinamento. Mesmo um sistema que não seja lá essas coisas é melhor do que nada.

A idéia "pode não ser uma brastemp" mas é interessante... e tem funcionado!! Isto é, ainda estou engatinhando e a coisa tá bem devagar... mas tá indo. Em um próximo post eu digo como estou fazendo e mostro quais os livros que estou utilizando.

Ps.: Hoje é o Dia do Enxadrista. Data escolhida por ser o dia do nascimento do grande Capablanca. 
Parabéns a todos!

sábado, 31 de outubro de 2009

Batalha entre amigos

Devido a problema$ pe$$oai$ meu ciclo de torneios este ano terminou. Acabou-se o que era doce. Como dizem por aqui "kbô a grana kbô a farra", ou "acoistapreta"! Mas não há de ser nada, para o ano "tamo de vorta"!

Enquanto isso, para não fechar o mês em branco e nem deixar meus 7 leitores morrendo de saudades, vou mostrar uma partida que dois bons amigos, Daniel e Alisson, jogaram recentemente.

Antes um aparte: quando digo "bons amigos" não é de graça, não. Não estou fazendo média nem rasgando seda à toa! Esses dois são ótimos enxadristas e excelentes companheiros, sabem por quê? porque com eles eu falo de xadrez tomando cerveja!! Meu último encontro com cada um deles foi na mesa de boteco... xadrez e birita, quer coisa melhor?

Por um capricho de Caissa eles se enfrentaram no último torneio classificatório do mineiro, disputado esses dias em BH. Daniel me enviou a partida e eu dei uma rápida olhada com a ajuda de Ribamar. Ele sacrificou um bispo para manter o rei negro no centro, sob pressão e Alisson não encontrou a melhor defesa, coisa complicada num ritmo de 1:10h nocaute. Ambos cometeram falhas e o resultado poderia ser outro, mas no final venceu o mais atrevido!

Na troca de emails eu e Daniel tivemos um diálogo mais ou menos assim:
Eu: Gostei do sacrifício, apesar de meio furado...
Ele: A intenção foi essa... estudei mais de cem partidas do Tal, não aprendi nada, mas pelo menos posso jogar como ele! :)

Segue a partida:


Enquanto escrevo estas linhas, nesta bela manhã de sábado, ambos estão jogando os Abertos do Brasil: Alisson em Brasília e Daniel em Caxambu-MG. Outro capricho de Caissa: Daniel enfrenta neste momento meu eterno mestre Rogério Fontoura. Tô doidim pra saber o que é que deu!

domingo, 27 de setembro de 2009

Aberto do Brasil - Itaúna (3)

Conclusão pós Itaúna: minha atuação na primeira rodada define o grau de satisfação para o resto do evento. Jogando bem, não importa o resultado, tenho chances de fazer um bom torneio. Para quem joga pelo prazer de jogar e sem grandes pretensões não deveria ser assim.

A partida a seguir é da primeira rodada




Jefferson Rian (de boina) é o atual presidente do
Clube de Xadrez de Porto Velho-RO




Jefferson Rian F. Silva x Mário Sérgio S. Guimarães
Aberto do Brasil - Itaúna-MG - 21/08/2009

1. e4 c5 2.Nf3 d6 3. d4 cxd4 4. Nxd4 Nf6 5. Nc3 a6 6. Bg5 e6 7. f4 Be7 8. Qf3 Nbd7 9. O-O-O Qc7



Posição clássica da Defesa Siciliana após 9... Qc7

Nos meus guardados eu tenho 2 partidas nesta posição. Em ambas as brancas jogaram 10.Bd3 - Alexandre Siqueira 0-1 Mario Guimarães - Torneio Aberto CXBH - 1986 e Sheridan Ribeiro 1-0 Mario Guimarães - Semifinal Mineiro - Nova Lima - 2008
Uma pequena diferença de 22 anos!



10. g4 Contra este lance já joguei 7 partidas postais, com o resultado: +3=2-2 10....b5 11. Bxf6 Nxf6 12. g5 Nd7 13. f5


Posição crítica após 13.f5

No postal eu sempre usei a resposta padrão 13... Nc5, reforçando a defesa de e6. Aí é que está o problema, eu podia consultar os livros! Sempre tinha uma sequência a seguir e às vezes até análises de variantes, etc. Quando o adversário jogava algo diferente, alguma novidade, normalmente era um lance pior, que me facilitava as coisas.



Antes de seguir vamos fazer um apanhado nos bancos de dados e ver a opinião do Ribamar.

Bancos de dados: 13... Nc5 (1164 partidas) 13... Bxg5+ (992 partidas) 13... Ne5 (127 partidas)

Análises de Ribamar:


a) 13... Bxg5+ 14. Kb1 O-O 15. fxe6 Nb6 16. Nd5 Nxd5 17. exd5 fxe6 18. Qh5 e5 19. Qxg5 exd4 20. Bd3 g6 21. Rhf1 Bh3 22. Rg1 Qf7 23. Qg3 Bf5 24. Qxd6 + 0.08

b) 13... Nc5 14. f6 gxf6 15. gxf6 Bf8 16. a3 Rb8 17. Kb1 b4 18. axb4 Rxb4 19. Na2 Rb6 20. Bd3 Bb7 21. Rhe1 Bh6 22. h4 Rg8 + 0.13

c) 13... O-O 14. g6 hxg6 15. fxe6 fxe6 16. Nxe6 Rxf3 17. Nxc7 Rb8 18. N3d5 Bg5+ 19. Kb1 Ne5 20. Bd3 Rh3 21. Rdg1 Bh6 22. Ne8 Nxd3 23. cxd3 Rxd3 24. Nxd6 Be6 + 0.18

d) 13... Ne5 14. Qg3 Bd7 15. Bh3 Qc4 16. b3 Qc8 17. Nce2 O-O 18. fxe6 fxe6 19. Kb1 Ng6 + 0.43

De volta à partida. Já tendo + ou - uma noção da posição e sabendo que o natural é Nc5 eu passei a procurar outras opções, querendo sair logo do livro antes que a posição chegasse num ponto complexo demais. Comecei por 13... Bxg5+. O problema é que após 14.Kb1 eu não achei a sequência correta. Fiquei em dúvida se seguia com b4 ou Ne5 ou mesmo O-O (indicado pelo homem de lata). O problema era o que jogar após Qh5 do branco (após a partida Laerte Carvalho me disse que o lance é Qd8! Segundo ele, o branco ainda pode sacrificar o cavalo em e6 e a defesa das negras tem que ser precisa). Pensei, então, que se o bispo não está em g5 minha preocupação passa a ser apenas e6 e pra isso o bispo de c8 está de guarda. Joguei então 13... Ne5?! 14. Qh5 b4 também é possível g6 e O-O 15.Na4? A interrogação é do Ribamar, mas eu também não gostei do lance. Esperava 15.Nce2 e decidia entre jogar g6 ou trocar em f5. Esta imprecisão das brancas deu-me confiança, o que acabou sendo ruim! 15... Bd7 Tentando aproveitar o mau posicionamento do cavalo em a4, ao tempo em que libero c8 para a torre ou mesmo para um eventual roque maior. Evitei o roque menor por causa dos peões brancos superavançados, mas vejo agora com o Ribamar que era a melhor opção. 16. Nxe6 Praticamente forçado para manter o ataque e não ficar inferior. 16... Bxe6 17. fxe6 g6 Era melhor rocar. As complicações que poderiam surgir seriam favoráveis às negras. 18. exf7+ Nxf7 Melhor tomar de Rei, mas eu estava de olho no peão de g5, para igualar o material e também deixar aberta a opção de rocar. 19. Qe2 Bxg5+ Melhor seria 19... Qa5 forçando 20.b3 Qxg5+ 21.Kb1 e jogo igual. 20. Kb1 Ne5? Ribamar não acha o lance tão ruim, a interrogação é por minha conta. Se eu soubesse o que viria a seguir teria rocado. 21. Qf2! A exclamação também é minha! Este lance incomodou bastante. Impediu o roque e apontou para b6. Fiquei meio desnorteado. 21... Nd7? Capivarada. 21... Rb8 era mais lógico. Em posições assim qualquer descuido é fatal. 22. Bh3 Rf8 Tentando ganhar um tempo atacando a madame. 23. Qg1 Madame é esperta, mantém o controle da diagonal e recupera o tempo atacando o padreco. 23... Bf6? Sentindo-me perdido, capivarei novamente. A casa boa era d8, defendendo b6. 24. Bxd7+ Kxd7? Desanimado, fiz o lance pensando em abandonar. 25. Nb6+ Ke7?? Levantei a mão para cumprimentar o adversário e parei no meio do caminho para tirar o Rei do xeque, eh eh! Antes de apertar minha mão o Jefferson ainda puxou o cavalo... 26. Nd5+ 1-0

De consolo ganhei um amigo, Jefferson Rian é gente boa pra dedéu!

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Aberto do Brasil - Itaúna (2)

Na resenha anterior eu reclamei de minha atuação pífia e principalmente de minha falta de interesse (?!) ou preguiça. Mas isto não quer dizer que não houve um ou outro momento interessante ou curioso, pelo menos do ponto de vista capivarístico!

Após as rodadas de sábado fomos relaxar nos botecos da vida e um dos assuntos abordados foi o perigo de se oferecer empate, devido ao que aconteceu com o amigo Julio Eimard. Falou-se em nervosismo, fator psicológico, obrigação de provar que a posição é igual, etc. Claro que não chegamos a um denominador comum, mas o papo foi interessante e esclarecedor.

O diagrama abaixo é de minha partida da última rodada contra Fernanda Rodrigues. Após um plano duvidoso na abertura e alguns lances fracos, acabei perdendo a iniciativa, mas depois de algumas trocas ficamos apenas com o material pesado e uma posição equilibrada.

Posição após 28.Rxc6

Remember Julio! estava gravado na minha cabeça, portanto fiquei na minha, aguardando os acontecimentos. Fernandinha simplificou tudo com 28... Rb2 29. R6c2 Rxc2 30. Rxc2 Rb1+ 31. Rc1 Qd3 e então eu não resisti, joguei 32. Qxd3 e ofereci empate. Claro, se ela quisesse forçar a vitória teria mantido as peças! Fiquei surpreso com a recusa instantânea! Ora, menina, se alguém tem alguma vantagem aqui, esse alguém sou eu, pô! (Depois, no rápido post-mortem, eu disse que ela estava certa, não custa tentar um pouco mais). Assim, continuei com cautela... Remember Julio!.

Seguimos 32... Rxc1+ 33. Qf1 Rxf1+ 34. Kxf1 Kf8 35. Ke2 Ke7 36. Kd3 Kd6 37. Kd4 h5 38. e4 dxe4 39. Kxe4 Ke6 40. h4 f6 aqui eu analisei Kf4 seguido de f3, g4, etc., mas achei que também dava empate e fui pelo mais simples. 41. f4 Kd6?!

Posição crítica após 41... Kd6?!

Depois de analisar por volta de 15 (tensos) minutos joguei 42. Kd4 Ke6 43. Ke4 Kd6 44. Kd4 e a partida empatou por repetição de lances 1/2-1/2.

Alguém que estava ao lado da mesa acompanhando o final disse "acho que com 42.f5 dava pra ganhar". Retruquei dizendo que pelas minhas análises dava empate. Fernandinha concordou e ficamos assim. Preferi não discutir a posição, temendo que meus cálculos pudessem estar errados!

De volta ao diagrama acima, vejam só a tensão por que passou este velho capivara enquanto analisava a posição e também a agonia do depois. Sigam meu raciocínio:

Fernandinha tá brincando com fogo, eu esperava 41... f5+ e uma singela oferta de empate. Agora... isto pode? Chequei a levantar a cabeça e procurar por Luciano Melo pelo salão - costumamos sacanear um ao outro no blitz com essa perguntinha marota!.

Debrucei-me no tabuleiro e... xô preguiça! Vamos lá: Empurro 42.f5, ela só tem g5, qualquer outro perde, é fácil de ver. Eu tomo, ela toma 43. hxg5 fxg5, não temos opções. E agora? ôpa, empurro 44.f6 Ke6 45. f7! Kxf7 46.Kf5, tudo forçado. Êpa, vamos rever tudo com calma. Eu: Rei em f5 e peão em g2, ela Rei em f7 e peões em g5 e h5, prontinhos pra serem capturados!


Posição da análise após 46.Kf5


Mentalizei a posição e refiz as análises. Ela joga... gastei uns 3 minutos pra conseguir visualizar o simples 46... h4! 47.Kxg5 h3! 48.gxh3 e me sobra um inútil peão da torre. Depois eu vi que mesmo jogando 46...g4 as negras ganham a oposição. Putz! escapou, Fernandinha!




Claro que até chegar em casa e conferir as análises com Ribamar foi uma agonia danada! E ainda tomei um baita susto quando o homem de lata sapecou interrogações duplas na repetição de lances! Mas foi só susto mesmo... assim espero.... Valei-me São Cipriano!

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Carta Aberta ao Companheiro Vlad!

Caro Vlad,

Com tristeza tenho acompanhado pela mídia essa confusão toda envolvendo seu nome. Um verdadeiro massacre o que estão fazendo contigo. Tudo por causa de um pequeno deslize. Bem, nem tão pequeno, né, cê tava num pau danado! he he, quase aguei de inveja! Mas, voltando a vaca fria, você não merece tanta aporrinhação, tanto achincalhe só porque tomou umas e outras e foi empurrar umas pecinhas. Estão fazendo tempestade num copo de vodka... embora eu saiba por experiência que não foi um só!!

Agora, cá entre nós, só uma coisa eu não concordo muito: lá no bar, digo, no torneio, estava cheio de crianças e isso não é bom, né companheiro. Aí eu acho que você pisou na bola! Com essa meninada a gente tem que ter cuidado, porque nós os grandes birit, digo, grandes mestres somos um espelho pra eles. Temos que dar o exemplo. Tá, não vou começar a aporrinhar, estou aqui pra lhe apoiar.

A propósito, não me interprete mal, quando eu falei em grandes mestres e me incluí é porque estava pensando na sua outra especialidade. É vero, nesse troço aí eu não sou capivara, manjo pacas! Tá certo que já não bato aquela bola toda, já tô véio, gasto... "curtido" é um termo mais apropriado!

Aliás, aproveito o gancho pra lhe fazer um convite: dê uma fugida e venha bater uma bolinha comigo. A gente junta a fome de xadrez com a vontade de beber, he he! Matamos dois copos numa golada só! ha ha! (desculpe, são fracos, mas não resisti!) Os tabuleiros já estão preparados, na hora a gente escolhe o que vai ser!


<- Podemos fazer um aquecimento...



... ou ir direto ao assunto! ->



Bem, o convite é sério, companheiro. Largue essa corja de abstêmios e puritanos frustrados e venha pra cá. A gente pode jogar umas partidinhas e nas horas vagas tomar umas biritas... ou vice-versa, claro! Mas venha mesmo, aqui você terá todo apoio e botequim é o que não falta. Juntos podemos refutar qualquer variante! Cheers!

sábado, 5 de setembro de 2009

GDCX - Match Fishing Pole - 3ª partida

O match tira-teimas da Fishing Pole segue a todo vapor. Abaixo a 3ª partida:

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Aberto do Brasil - Itaúna (1)

Viajamos na quinta-feira, véspera do torneio, pra não botar a culpa das capivaradas no cansaço da viagem. Também é arriscado ir no dia do torneio devido ao meu "problema de trevo". Minha especialidade é errar o caminho! Luciano é ótimo companheiro de viagem, mas péssimo co-piloto, muito desatento. Tive que dirigir e ainda ler as placas! Fiquei com toda a responsabilidade de conduzir a viatura ao seu destino. Abençoado por São Cipriano, não errei nada desta vez. Aleluia!

Após o check in combinamos descansar um pouco e sair à noitinha pra comer (e beber) alguma coisa. Na hora H o caboclo fugiu da raia: "vou pedir um lanche por telefone e ver o jogo do Galo na TV". Saí, bebi a cervejinha, forrei o bucho e na volta passei no quarto do amigo pra ver como andava o Glorioso. Tomei um baita susto quando vi as embalagens de isopor: meu ex-co-piloto tinha devorado 3 X-egg-bacon-burger... três!! Se jogasse o tanto que come não tinha pra ninguém!

Sexta de manhã, após o café, assistimos a chegada da galera. 90 participantes e todo mundo no mesmo hotel! Veio gente de São Paulo, Brasília, Goiânia e até de Porto Velho! E foram chegando os amigos: Robson Batista (Bueno Brandão), Julio Eimard (Caratinga) e a turma boa de Viçosa: Laerte Carvalho, José Carlos Peixoto (Cacau) e Alisson Lima. Rogério Fontoura (BH) só chegou pra segunda rodada. Vou falar mais dessa turma, mas agora vamos "largar os entretantos e partir pros finalmentes":


Resultado final:

1) Evandro Amorim Barbosa 5,5
2) MI Wellington Carlos Rocha 5,5
3) Joaquim de Deus Filho 5,0
4) MF Roberto Molina 5,0
5) Frederico Gazel 4,5

Resultado completo na página da FMX

Minha performance:

Fraquíssima, beirando o ridículo. 3 pontos em 6 foi um prêmio não merecido, considerando o baixo nível de jogo. Minha estratégia para as 3 rodadas de sábado (muito pesado) seria economizar o máximo de energia possível, mas acabei por exagerar na dose e apenas empurrei as peças. Lamentável...

1ª rodada: Jefferson Rian 1 - 0 Masegui
Siciliana contra o amigo Jefferson. Perdi por falta de preparo básico na abertura.

2ª rodada: Masegui 0,5 - 0,5 João dos Reis
De brancas, joguei rápido e em posição ligeiramente melhor e boa pra começar alguma coisa, ofereci empate, mais preocupado com a cerveja do que com o xadrez. :(

3ª rodada: Elizabeth F Silva 0,5 - 0,5 Masegui
Nova siciliana. A menina desenvolveu-se bem, armou o jogo direitinho e não forçou a barra. Contagiado pelo vírus da preguiça, entrei na dela. Empate chocho.

4ª rodada: Masegui 0,5 - 0,5 Mateus C. apolinário
Por descuido na abertura deixei de ganhar a qualidade ou peão a mais e jogo melhor. Bateu um desânimo, passei a jogar ainda mais rápido e caí num final de damas inferior. Dei meia dúzia de xeques, procurando uma posição digna de abandono e fui presenteado com uma oferta de empate!

5ª rodada: Lucas T. Resende 0 - 1 Masegui
Outra siciliana e finalmente uma vitória. O garoto veio devagar e quando atacou, errou feio. Retribuí, mas ele insistiu e ficou com duas peças a menos. Venci, mas ficou aquele gostinho amargo...

6ª rodada: Masegui 0,5 - 0,5 Fernanda S. Rodrigues
O empate com a Fernandinha mostrou que meu jogo está sem inspiração nenhuma. Parece que estou jogando forçado, sem vontade. Cometi algumas imprecisões, ela tomou a iniciativa, mas simplificou demais e o empate ficou óbvio. De aproveitável só a posição final, que merece uma análise à parte.

Resumo da ópera:
Viagem boa, hotel excelente, torneio bem organizado, maravilhosa convivência com os amigos, tudo de primeira qualidade. Agora o xadrez, motivo principal de tudo isto, ficou em segundo plano. Prometi aos amigos na mesa de boteco, que é o meu altar: ou mudo meu "approach" ou não disputo mais torneios, vou só a passeio... como uns e outros por ai!

Notas:

O torneio foi disputado no ginásio do SESI, a uns 10 minutos de caminhada do excelente Grande Hotel Itaúna. Ambiente gostoso e tranquilo, só faltou o cafezinho durante as partidas!

O MI Wellington Rocha (gente muito boa!) jogou o torneio inteiro na mesa 1 e perdeu o título nos critérios de desempate. Coisas do sistema suiço!

Jefferson Rian (meu adversário da 1ª rodada) é presidente do Clube de Xadrez de Porto Velho. Sujeito simples e boa praça, rapidamente ficou amigo de nossa galera. Jogou bem e fez 4 pontos.

As mocinhas que enfrentei em Sete Lagoas também apareceram e tiveram bom desempenho: Gabriela Marques fez 3 pontos e sua priminha Catarina Brandão fez 2,5. Parabéns meninas! Aliás, foi uma agradável surpresa ver tantas crianças jogando xadrez. E jogando bem!

Os velhos amigos:


Rogério Fontoura, bye na primeira rodada por causa do trabalho, chegou de mansinho e matou a pau: 4,5 em 5, beliscando uma premiação!
Beleza, Mestre!

Na foto ao lado o amigo e Mestre Rogério Fontoura (sentado), tendo ao lado sua patroa Vânia e o capivara Luciano tentando um autógrafo.

Luciano Melo... esse veio a passeio. Fez apenas 1 ponto e... prefiro não comentar!




A turma de Viçosa montou uma escadinha: Prof. Cacau com 3 pontos, Alisson com 3,5 e Laerte (sempre jogando bem) com 4 pontos.

Ao lado Laerte (camisa escura) e Cacau com os filhos Yago e Ryan.





Robson Batista: Novamente meu vizinho de quarto e companhia constante, como em Nova Lima. Pessoa finíssima e ótimo amigo... tanto que foi solidário e fez também 3 pontos! :)

Robson (camisa listrada) ao lado do talentoso Alisson.
Essa dupla é fera no xadrez e na mesa de boteco!




Julio Eimard é uma peça rara! temperamental como ele só. Chegou todo animado e confiante, mas foi traído pelos nervos. Num final claramente empatado contra Gazel, ofereceu tablas, irritou-se com a recusa, capivarou e perdeu a partida. Repetiu o feito na última rodada, quando massacrou o adversário na abertura e conseguiu perder o jogo!
Os 3,5 que fez é pouco para o xadrez que joga.

Ao lado os companheiraços Robson Batista e Julio Eimard.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

GDCX - Match Fishing Pole - 2ª partida

Segunda partida do match e segunda vitória das negras! Não tive tempo de fazer uma análise mais apurada, mas o amigo Sávio fez a gentileza de salvar o jogo em HTML, com os comentários de alguns companheiros do GDCX que assistiram on line e deram seus pitacos via "whispers". Espero que o visor funcione corretamente.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Como jogar um bom torneio (by Katar)

Já disse mais de uma vez que sou um assíduo frequentador de blogs alheios. Gosto de fuçar aqui e ali e estou sempre descobrindo posts interessantes. No blog do Katar encontrei umas dicas ótimas que vem bem a calhar com meu momento atual.

Katar conta que venceu um torneio de clube e relaciona alguns fatores que considerou determinantes em sua boa performance. Tomei a liberdade de traduzir o mais relevante (meus comentários em itálico) e espero que o gringo não se importe, já que está devidamente creditado:

- Concentração e foco
Fiquei completamente concentrado em cada partida e nunca saía da mesa de jogo. Tanto que no final nem me lembrava quem jogou nas mesas ao lado! Também, tomar um banho e vestir roupas confortáveis antes de cada partida faz uma grande diferença.

Taí uma coisa que preciso aprender: parar com a mania de levantar toda hora da mesa e me concentrar mais na partida. Claro que um bom banho deixa a gente "desperta" e roupa confortável é essencial.

- Confiança e resistência mental
Eu sempre acreditei que poderia vencer. Mesmo quando minha posição não era tão boa eu encontrava os lances mais desafiadores. Eu acho que esta atitude mental implacável também põe pressão psicológica no adversário.

Otimismo e perseverança sempre são bons conselhos.

- Avaliação objetiva
Eu procurava os melhores lances e sequências para ambos os lados e calculava tanto quanto possível (normalmente cerca de 5 ou 6 lances). Muitas vezes eu deixei de fazer o lance que eu queria jogar porque não podia justifica-lo.

Tenho muita dificuldade de cálculo. Talvez mais concentração (1ª dica) ajude neste aspecto.

- Administração do tempo
Gastei normalmente de 3 a 4 minutos por lance e até 15 minutos nos momentos críticos. As partidas que ganhei eu consegui uma vantagem decisiva com cerca de 10 minutos ainda no relógio, o bastante para vencer confortavelmente.

Um bom método para o ritmo atual de partidas pensadas.

- Ausência de erros graves
Isto é mais um derivado dos 4 itens anteriores. Eu praticamente eliminei os "acidentes" nos meus últimos torneios.

Concordo plenamente, mas... como fazer um capivara não capivarar? só pegando com São Cipriano! :-)

Katar fecha o post com uma advertência: Não me entendam mal, eu tenho feito milhares de exercícios táticos e lido muitos livros, mas sem os conselhos acima, conhecimento e habilidades especiais são irrelevantes.
***
Bem, dicas como concentração máxima, boa administração do tempo, perseverança, etc., podem não ser novidade. No entanto, quando vem de uma experiência prática como a de nosso amigo Katar, serve muito bem para "abrir nossos olhos". Bela receita de como fazer um bom torneio!

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

GDCX - Match Fishing Pole - 1ª partida

O primeiro combate terminou com a vitória das negras, comandadas pelo Mestre Gbsalvio, que em apenas 18 lances liquidou a fatura. Infelizmente não pude acompanhar a partida ao vivo, mas salvei o PGN e mostro agora pra vocês. Os comentários são meus, com supervisão técnica de Ribamar Mota, o homem de lata. Quem quiser acompanhar no visor (em outra tela) é só clicar aqui.

AlvaroFrota 0-1 Gbsalvio
FICS - 10/08/2009 - Partida 1

1. e4 e5 2. Nf3 Nc6 3. Bb5 Nf6 4. O-O Ng4 5. c3 a6 6. Bc4
Sávio considera este lance, que visa f7, como o melhor. Ribamar aponta como mais forte 6. Bxc6 e eu concordo. Eliminar o cavalo permite às brancas o controle sobre a casa d4. Por exemplo dxc6 7. h3 (o imediato 7. d4 merece consideração) 7... h5 e agora ele sugere outros lances, mas eu acho importante seguir com 8. d4 mantendo o bispo negro longe de c5.
6... Bd6
Um bom lance, que tenta justificar e manter o cavalo em g4. 6...Be7 corta o acesso da dama a h4 e tentar manter o esquema FP com 6...Bc5 é perigoso após 7.d4 e 8.h3.
7. d4 h6
O objetivo é proteger g5. Merece consideração o atrevido 7...h5. Ribamar indica 7... O-O, mas seria reconhecer o fracasso do esquema FP.
8. Qe2
Não é que este lance seja ruim, mas a posição precisa de algo mais contundente. Ribamar indica 8.Nf1 ou 8.h3. Eu ficaria com este segundo, que praticamente obriga o cavalo negro a deixar seu posto em g4.
8... Qf6 9. Rd1
Pra manter a vantagem era necessário "cutucar o burro", como comentou o Sávio. Após 9.h3 h5 (forçado) agora, sim 10.Rd1 com boa partida. Pode-se, também, tentar 10. Ng5 entrando em complicações favoráveis às brancas.
9... Qe7
Mais no espírito da FP seria 9...Qg6. Ribamar considera os dois equivalentes.
10. Nbd2
Tudo bem, desenvolveu... mas tá brincando com fogo! Essencial é 10. h3! Se o cavalo negro voltar a f6 o branco tem várias opções de lance e boa partida. Se 10... h5? 11.hxg4 hxg4 12.Ng5 com vantagem decisiva.
10... O-O
O melhor, segundo Ribamar. Sávio, macaco véio, sabe a hora de mudar os planos.
11. a4
Não gosto deste lance. Ainda acho (e Ribamar assina embaixo) que o melhor é 11.h3. Também possível seria 11.Bd3 e 11.Nf1.
11... Re8
Novamente Sávio escolhe o melhor, segundo Ribamar. Ele tem que "se virar" pra reorganizar sua posição.
12. Bd3
Agora o lance 12.h3 era uma necessidade, já que o bispo de d6 aponta pra h2.
12... exd4
Não é o melhor (Ribamar), mas abre um pouco a posição, libera o bispo e faz surgir possibilidades táticas, onde o Sávio é mestre!
13. Nxd4??
Blunder!! Agora ficou claro que o cavalo deveria ter sido expulso de g4. Acho que depois desta o Álvaro vai iniciar suas partidas com 1.h3! Nesta posição Sávio fez um comentário ao seu estilo: se 13. cxd4 eu pretendia Nxd4 14. Nxd4 Bxh2+ 15. Kf1 (se 15. Kh1 Qh4 com forte ataque!) 15... d5 16. exd5 Qd8 com uma partida bem animada!
13... Bxh2+
Mestre Sávio não deixa passar a oportunidade!
14. Kf1 d6
Ribamar diz que 14... d5 é melhor, mas Sávio acabou de tomar a iniciativa e sabe que o jogo já é dele. Escolhe, portanto, o mais simples.
15. Nf5
Eu não acompanhei a partida ao vivo e não sei como estavam os relógios, mas isto cheira a desespero!
15... Bxf5 16. exf5 Qh4
É impressionante como em poucos lances a situação mudou tão drasticamente!
17. Nf3 Rxe2 18. Nxh4 Rxf2+ 0-1




Na posição final uma curiosidade:

O Cavalo-isca estacionou em g4
e lá ficou até o final da partida!




quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Tira-teimas na Fishing Pole!


A polêmica variante da Ruy Lopez volta a ser o assunto do momento no Grupo de Discussão do Clube de Xadrez (GDCX), desta vez com a realização do Grande Match da Fishing Pole.

A Fishing Pole, criada por Jack Young e divulgada mundialmente por Brian Wall, tem no Brasil o nosso companheiro de grupo, Gbsalvio, como seu mais fervoroso adepto. Ele usa a variante com certa frequência e relativo sucesso (palavras do próprio Gbsalvio) em partidas blitz, rápidas e até por correspondência.




A Fishing Pole acontece após a seguinte sequência:

1.e4 e5 2.Nf3 Nc6 3.Bb5 Nf6 4.O-O Ng4(!)



Mais sobre a FP aqui, aqui e aqui.



Informações do Evento:

Grande Match da Fishing Pole

AlvaroFrota
x Gbsalvio

Match temático de 5 partidas
Ritmo de jogo: 30 minutos + 30 segundos por lance
Local: FICS, sempre às segundas-feiras às 20h.
Início: 10 de agosto de 2009




O Recanto do Capivara negocia com os contendores (direitos autorais, de imagem, etc.) e pretende dar ampla cobertura ao evento :-)

Espera-se grande comparecimento da galera do GDCX acompanhando as partidas e dando pitacos através do Whisper e do canal 123. Venha você também, compareça, não perca esta sensacional disputa: AlvaroFrota no comando do exército branco tentando refutar a Fishing Pole, poderosa arma nas mãos do fortíssimo Gbsalvio. Façam suas apostas!

sábado, 1 de agosto de 2009

Sete Lagoas - Final feliz!

Sábado, 18/07 rodadas 3 e 4
Manhã ensolarada, nem uma nuvenzinha no céu. A orla da lagoa Paulina estava ainda mais bonita. Durante a breve caminhada até o Iporanga Social Clube, local do evento, eu papeava com a patroa e apreciava a paisagem, evitando pensar em xadrez. Também pudera, na frente do meu nome na tabela de resultados tinha um roque menor... é mesmo pra esquecer.

Na terceira rodada, de manhã, enfrentei a Gabriela Marques. Sua postura séria e determinada frente ao tabuleiro mostra que em pouco tempo ela vai dar trabalho pros marmanjos. Ela jogou bem a abertura, mas depois sua inexperiência pesou e, apesar da resistência tenaz, levei o ponto.

Na quarta rodada foi a vez de Catarina Brandão, de 9 aninhos! A linda Catita sabe muito pra sua idade. Após a partida tivemos um rápido post-mortem e fiquei impressionado com sua alegria e vivacidade!

Domingo, 19/07 rodadas 5 e 6
Após umas biritas e uma boa noite de sono acordei totalmente revigorado. O café reforçado e a beleza da manhã deram-me um novo ânimo. Preciso de 1 ponto em duas partidas para cumprir a meta estabelecida: 50%. Vamos que vamos!

Marcelo Menezes 0-1 Mário Guimarães
Comecei a partida bem-humorado e tranquilo. Joguei solto e perigosamente relaxado! No fim, com a vitória, achei que fiz um bom jogo. Conferindo agora com o amigo Ribamar vi que fiz alguns lances fracos e tive sorte, porque o garoto respeitou demais minha siciliana. Ele demorou a se decidir, protelou demais o ataque e quando quis botar as manguinhas de fora já era tarde.

O final da partida teve um momento interessante. A posição ao lado é após o lance 20... Rc3!
O "centroavante segurando a zaga" não é nenhuma maravilha de sacrifício, é óbvio que a torre não pode ser tomada. No entanto, é uma massagem no ego de qualquer velho capivara. É muito bom fazer um lance assim, principalmente pelo fator psicológico. Fiz o lance e fui pitar meu cigarrinho, deixando o garoto lá, matutando - foi nessa hora que veio o castigo de Deus e sapequei a fuça no vidro!. A situação das brancas não é desesperada, mas requer cuidados. A defesa tem que ser precisa senão a casa cai.

A partida seguiu: 21. Be2 O garoto gastou uns 20 minutos e não jogou o melhor, que na minha opinião é 21.Qd1 e ao qual eu responderia Bb5. Ribamar confirma a correção de minha análise.
21... Bb5 Minha mão coçou pra tomar em g3 e entrar de cavalo em e4 visando c3, mas eu acho que Qd3 defende. Resolvi não perder tempo e aproveitar o momento psicológico. Ribamar diz que o melhor é rocar, mas isto nem me passou pela cabeça. No caso de um troca-troca geral o Rei está bem colocado no centro. 22.Bxb5? Vixe, isso é muito ruim! Abriu a porteira! Será que ele pensou que eu ia tomar de dama? 22... axb5 23.h3? Nas palavras de um amigo "se suicidou-se a si próprio!" 23... O-O É a primeira vez que roco no lance 23! 24. bxc3? Resolveu acabar com a agonia e entregou a rapadura. 24... bxc3 Nem vi que tinha mate em 3 com Ra8! 0-1

Mário Guimarães 0,5-0,5 Walter Godinho
Missão cumprida, tranquilidade total, o que vier é lucro! O único problema é que não posso esperar o final da rodada por causa do táxi pra BH. A tática é jogar rápido e partir pra cima. Eu sei que o menino é bom, mas seja o que Deus quiser! Assim que mostrei as garras o garoto ofereceu empate. Bão demais, sô!

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Aberto do Brasil - Sete Lagoas - Mau começo!

Surpresa na 1ª rodada: meu adversário é deficiente visual! Roberto Carlos Hengles, rating FIDE 1955, CBX 1935, campeão brasileiro da categoria, medalhista em Pan-Americano de Deficientes Visuais e já representou o Brasil em competições internacionais.
Observe na foto ao lado o relógio especial. Os botões vermelhos, quando acionados, informam ao jogador o tempo restante!
(clique para ampliar)

Neste meu primeiro embate com um deficiente visual eu tive algumas dificuldades de adaptação. Numa partida normal o jogador faz o lance, aciona o relógio e depois anota na planilha "com o relógio do adversário em movimento". Neste caso o jogador faz o lance, canta a jogada para o adversário e só depois aciona o relógio e anota na planilha. Pra quem não está acostumado é uma preocupação a mais e preciosos segundos vão embora a cada lance. Outra preocupação: a partida era no ritmo de 2h nocaute - o relógio especial do Roberto não tem incremento - assim, eu não podia contar com aqueles 30 segundos salvadores num caso de apuro de tempo. Pra piorar as coisas o cara joga muito rápido!

Roberto Hengles 1-0 Mário Guimarães

1. e4 c5 2. Nf3 d6 3. d4 cxd4 4. Qxd4 Eu já usei esta variante de brancas, para evitar linhas muito analisadas e como elemento surpresa. Nc6 5. Bb5 Bd7 6. Bxc6 Bxc6 7. Bg5 Nf6 Aprendi a não dar confiança a esses lances estranhos! Se agora 8.Bxf6 gxf6 e fico com o par de bispos e um centro forte. 8. Nc3 e6 9. O-O-O Be7 10. Rhe1 O-O 11. e5 dxe5 12. Nxe5 Qxd4 (?) O lance não é tão ruim a ponto de merecer a interrogação. Ela só está aí para reprovar os motivos que me levaram a efetuar tal troca. Em outras circunstâncias eu teria jogado 12... Qc7, minha escolha inicial e o melhor na posição. Optei pela simplificação tentando alcançar uma situação mais fácil de lidar para economizar tempo no relógio. Claro que foi uma decisão completamente equivocada. 13. Rxd4 Rfd8?! Seguindo o mesmo raciocínio errado do lance anterior. Eu sabia que não podia tomar em g2 porque 14.Nd7 complica minha vida, mas... 14. Nxc6 bxc6 ... acabei numa posição inferior. 15. Rc4 Nd5 16. Bxe7 Nxe7 Por enquanto a posição está sustentável, mas pra ser honesto "aimenot filingude!" 17. Re5 Kf8 18. Ra5 Rd7 19. Rca4 Nd5 20. Nxd5 cxd5 21. b4 Rc7! Um lance bom e necessário pra conseguir algum contrajogo. 22. Kd1 Ke7 23. b5 Rb7 24. c4 dxc4 25. Rxc4 Rd8+ 26. Kc2 Rbd7 27. Kb3 Rd3+ 28. Rc3 Rxc3+?! É melhor manter as duas torres. 29. Kxc3 Rd7 30. Ra6 Kd8 31. a4 Kc8 32. Kb3 Kb7 Roberto também não fez os melhores lances e eu igualei a partida. Meu problema é o relógio. 33. Rc6 Rd3+ 34. Rc3 Rd2 35. Rf3 Rd7 Avançar f6 ou f5 é melhor. Olhei o relógio, pouco mais de 3 minutos, partida nocaute... puxei a torre de volta! 36. Kb4 f6 37. a5 Rd4+ 38. Kc5 Rd5+ 39. Kc4 a6 40. Rb3 axb5+? Joguei ao toque, errei feio e este lance deveria decidir a partida. No entanto, apurado no tempo, cantei o lance errado. Corrigi imediatamente, mas Roberto acionou de volta meu relógio e formou-se um pequeno bafafá. O árbitro auxiliar, André Luiz, nesta hora estava ao lado da mesa e tentou argumentar com o meu adversário dizendo "ele cantou errado, mas fez o lance correto no tabuleiro". Provavelmente ele me puniria e daria os devidos acréscimos ao Roberto, mas este exigiu a presença do árbitro principal. Assisti a tudo de camarote, caladinho no meu canto, mas até que pararam o relógio eu perdi preciosos segundos. O árbitro principal veio, garantiu o acréscimo de 2 minutos ao Roberto em caso de necessidade (pouco provável, ele tinha uns 20 minutos!) e a confusão acabou. 41. Kb4? Este erro, provavelmente causado pelo nervosismo do Roberto, poderia mudar o resultado da partida. Ka6 42. Rg3 Rd2?! 43. Rxg7 1-0 Olhei o relógio (58 segundos) e cumprimentei o adversário.

Considerando os atropelos, até que fiz uma boa partida. Não reclamo das condições de jogo, está tudo previsto nas leis do xadrez, mas da minha falta de costume com o esquema. Em tal situação eu deveria ter adotado uma postura mais competitiva. Por exemplo, eu poderia ter sacrificado um pouco o café e o cigarro e me concentrado mais na partida. Na próxima levo uma super bonder e colo minha bunda na cadeira!

Bem, mesmo borocoxô, com o astral lá embaixo, precisei correr. Minha partida foi a última a terminar e tive menos de 1h de intervalo. Corri pro hotel, banho rápido, lanche rápido, corri de volta, cheguei em cima da hora, sentei, cumprimentei o adversário e... joguei minha pior partida dos últimos tempos!

Mário Guimarães 0-1 Jerry Dibai
Após uma abertura recheada de lances sofríveis, chegamos a esta posição:
14. e5?
A pergunta é: o que leva um sujeito a fazer um lance deste? Tive chances de efetuar este avanço em melhores condições e não o fiz. Agora que não podia... PQP! O mais interessante foi como se deu a coisa: de imediato pensei em 14.Ne3. Cheguei a levantar a mão sobre o tabuleiro, mas parei no meio do caminho. Pensei com meus grugumios "avanço e5, trago a TD pro centro e tenho compensação pelo peão". Isto, claro, após uma longa reflexão de uns 15 segundos.!
bxc4 15. exf6 cxd3 16. Qxd3 Bxf6 17. Bh6 Rfe8 18. Rad1
De acordo com meus cálculos mirabolantes agora eu teria compensação pelo peão. Estabelecida a posição, vi que não era bem assim. Em condições normais eu poderia espernear e tentar meio pontinho ou algum milagre... mas baixou um desânimo total. O resto foi jogado no piloto automático e beira ao ridículo.

Minha salvação foi a patroa. Se estou sozinho entro no primeiro boteco e... Deus é grande!

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Aberto do Brasil - Sete Lagoas-MG



A Lagoa Paulina e o belo salão de jogos do Iporanga S. C. com rodada em andamento. Clique para ampliar.




Parabéns aos organizadores do evento! horários cumpridos à risca, ótimo ambiente, local bonito e agradável, cafezinho delicioso (tomei uns 30 por rodada). Uma beleza de torneio! Resultados aqui.

Encontrei velhos conhecidos e fiz novos amigos, entre eles Ruy Furst, incansável na divulgação do xadrez em Minas. Um verdadeiro mito!

Conheci pessoalmente o gente-boa Joaquim de Deus Filho, o Joca, do blog xadrez&torneios e acabei esquecendo de perguntar como ele faz pra jogar TODOS os torneios que acontecem no Brasil!

O vencedor do torneio FM Luis Ernesto Rodi, com quem conversei rapidamente, é um cara simples, tranquilo e muito simpático. Nem é preciso falar que o hermano joga pra c@#@%*&!

Abaixo mais alguns flagrantes, da esquerda p/ direita: O Campeão Luis Rodi recebendo seu prêmio, o garoto Victor numa batalha de gerações com Ruy Furst e F. Gazel x R. Fontoura



Minha performance: +3-2=1 - 3,5 em 6 - classificação: 17°/24°
O resultado foi bom, levando-se em conta o grau de capivarice e a intenção (promessa) de fazer no mínimo 50% dos pontos. No entanto, não gostei da maneira como joguei. Não me refiro à técnica, que só será melhorada com a prática de torneios, mas ao enfoque. Tudo bem que a diversão era o principal objetivo, isto foi alcançado, mas voltei com a sensação de que poderia ter obtido um resultado melhor com pequenas mudanças na atitude.

Algumas lições foram assimiladas por esta cabeça dura e velha: levar mais a sério o torneio, ser menos bonzinho(!?) e mais competitivo, não me deixar abater por um resultado adverso e, principalmente, ter mais autoconfiança (conselho/censura/pito recente do amigo Gbsalvio)

Minhas partidas:
Uma breve análise das rodadas, antes de conferir com Ribamar. Depois eu deixo ele apontar as capivaradas, que não devem ser poucas:

Sexta-feira, 17/07
R1 - Roberto Carlos Hengles 1-0 Masegui
Joguei bem a abertura, depois me desconcentrei. Enfrentar pela primeira vez um deficiente visual foi muito desgastante e fiquei o tempo todo sob pressão. Lutei muito e a certa altura até poderia vencer, mas o relógio foi implacável.

R2 - Masegui 0-1 Jerry Dibai
Minha pior partida. Armei uma espécie de ataque índio e estava bem até que, sem calcular direito, arrisquei um sacrifício de peão tentando abrir linhas de ataque. O troço não funcionou e, nervoso, deixei passar um simples tático, perdendo outro peão. Chutei o balde sacrificando a qualidade e acabei com um roque menor na tabela de resultados.

Sábado, 18/07
R3 - Gabriela Marques 0-1 Masegui
Eu tinha que vencer ou ia ver um roque maior na tabela! Gabriela tem uns 13 anos, bonita, simpática e sabe jogar. Fez tudo direitinho até cometer um erro tático simples. Ganhei um peão, tomei a iniciativa, ganhei outro e o resto foi simples.

R4 - Masegui 1-0 Catarina Brandão
Por culpa do sistema suíço enfrentei a linda Catita, de 9 aninhos! Ela está começando agora e tem muito potencial. Peguei seu autógrafo na planilha, que valerá uma boa grana quando ela for uma GM.

Domingo, 19/07
R5 - Marcelo Menezes 0-1 Masegui
Depois de uma boa noite de sono acordei disposto e joguei uma boa partida. É verdade que o adversário ajudou, mas joguei solto e despreocupado, não podia perder. O garoto encarou a siciliana de modo tímido, devagar, esperando eu rocar pra soltar a peãozada. Atrasei o roque enquanto pude e quando surgiu a oportunidade meti uma torre na área adversária, tipo um centroavante segurando a zaga. Se derrubar é penalty. Derrubou, perdeu!

R6 - Masegui 1/2-1/2 Walter Godinho
Dois chopps e almoço legal. O adversário é forte, mas a preocupação é jogar rápido e acabar logo, qualquer que seja o resultado. O companheiro de viagem tem um compromisso em BH e vamos dividir o táxi. Meia hora de jogo, várias mesas vazias, Luciano com um cavalo a menos (vai perder logo!) e uma oferta de empate, antes mesmo do quiproquó começar. "Bora pra casa, tô com sardade dos mininu!"

Notas pessoais:
Sábado à noite visitamos uma feirinha próxima ao local do torneio, na orla da lagoa Paulina. Eu, Rogério Fontoura e as respectivas... Bom papo, cervejinha e tira-gosto. Bem, o mestre só tomou um copo, pra me agradar, já que não tem o costume de beber (eu sabia que ele tinha algum defeito!). Eu, assim, dispensei o tira-gosto e fiquei só nas latinhas porque sei que "um homem comido é um homem liquidado!". No caminho de volta pro hotel "engambelei o estôm" com um sanduíche de carrocinha!

Foi ótimo ter levado a "santa que me cuida". Ela organizou as roupas, cuidou da alimentação (pitacos no cardápio) e deu suporte na água gelada e cafezinho durante as partidas. O único inconveniente é que ela saiu com as meninas do Rogério (patroa e filha) e cobrou os serviços prestados usando meu cartão de crédito!

Dureza mesmo foi aguentar as "pérolas" do amigo e companheiro de viagem, Luciano Melo, ditas após as duas primeiras rodadas, quando ele tinha uma vitória e eu um roque menor na tabela:
- É, parece que você vai correr atrás de mim o torneio inteiro!
- Amanhã vou pedir ao árbitro para te emparceirar com alguém bem fraco, pra você fazer um pontinho!
- A primeira você jogou na mesa 15, a segunda na 25. Amanhã sua mesa vai ser no fumódromo!
Durma com um barulho desse! O pior é que ele fala com a cara mais séria do mundo e quando eu apenas respondo "obrigado Senhor, por me permitir ouvir isto" ele sai às gargalhadas. Mesmo assim fiquei muito feliz com a performance do amigo. Conseguir 50% dos pontos num torneio desse nível não é pra qualquer capivara! - Obrigado pela ótima companhia, parceiro!

Mico do torneio:
Quinta rodada, partida complicada, sacrifiquei uma torre - na verdade não foi sacrifício, porque se tomar leva mate. Levantei da mesa, parei, olhei pra trás, dei mais uma conferida, tirei um cigarro do bolso e caminhei em direção ao fumódromo, que era numa sacada separada por uma porta de vidro "sempre aberta". Levantei os olhos, vi algumas pessoas fumando, procurei o isqueiro no bolso, ainda pensando no lance que havia feito e... BRUMMMM! Sapequei a fuça no vidro! Alguém tinha fechado a porra da porta e eu, distraído, não percebi! Foi um estrondo danado e, sem jeito, nem olhei pra trás. Ah, Xapralá, todo gênio é distraído, mesmo!

Pra fechar com chave de ouro, mais 3 flagrantes: Luciano Melo (de vermelho) dando suas capivaradas, as palmeiras da lagoa Paulina e o clássico das respectivas!

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Sete Lagoas, lá vamos nós!

A caminho do Aberto do Brasil, etapa de Sete Lagoas. Amanhã cedinho pegamos o trecho. Capivara gosta de beira de rio, mas lagoa é "bão tamém".

Minha intenção é passear, conhecer gente nova e rever os velhos e bons amigos, se Deus quiser. Diversão é o objetivo. E diversão, pra mim, tem que ter xadrez. Adoro o ambiente de torneio, mestre misturado com capivara, conversa fiada, silêncio quando é preciso.

Vou aproveitar e empurrar umas pecinhas, isto é, apanhar um pouquinho... também vou tirar algumas fotos e ver como jogam os fodões! ... de quebra aprendo alguma coisa!

A "santa que me cuida" vai comigo. E tá levando seu tamanco pesadão, pra sapecar na cabeça de algum desavisado que resolver me xequematear rápido demais!

Seja o que Deus quiser...

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Tolerância Zero!

A FIDE implementou recentemente (1º de julho) algumas alterações nas leis do xadrez e uma delas está dando o que falar. Trata-se do artigo 6.6a, que regulamenta o início de uma partida de torneio. A polêmica está dando pano pra mangas e o tal artigo está sendo chamado de "tolerância zero".

Antes de dar meu pitaco, imaginem uma situação hipotética:

Torneio numa cidade do interior, organizado por meia dúzia de aficionados que lutam para divulgar o xadrez. Patrocínio da prefeitura e algumas empresas. Cobertura do jornal, rádio e TV local. A atração principal é o famoso GM Savioly Damascenovich, contratado a peso de ouro!

Abertura do torneio: Estão lá os patrocinadores, prefeito, juiz, delegado, padre (vai benzer, pra dar tudo certo), enfim, a nata da cidade. O lance inicial será efetuado por D. Rosinha, mulher do prefeito e proprietária da fábrica de cachaça, principal patrocinadora do evento. A primeira dama, claro, está toda perequeté... fotógrafos, TV, sacumé, né!

O árbitro contratado da federação quer iniciar a primeira rodada, mas... êpa, peraí! e a grande estrela do evento, GM Savioly Damascenovich? cadê aquele fidumaégua? Bom, não se pode fazer nada, a lei diz que ele pode se atrasar até uma hora. Fala pras "otoridade" sentar e esperar!

Pois é, brincadeiras à parte, uma situação perfeitamente possível. Ou era...

Agora falando sério, eis o texto da nova lei, copiado de um link na página da CBX, em sua versão original e a respectiva tradução:

"Any player who arrives at the chessboard after the start of the session shall lose the game.Thus the default time is 0 minutes. The rules of a competition may specify otherwise."

"Qualquer jogador que chegar ao tabuleiro após o início da sessão perderá a partida. Deste modo o período de ausência é 0 (zero) minutos. As regras da competição podem especificar de outra forma."

Bem, muita gente boa tá metendo o cacete. Ainda não vi ninguém defendendo. Também, pra defender a FIDE é preciso pensar duas vezes, o monte de merda que seus dirigentes andaram fazendo nos últimos anos não tá no gibi. Na dúvida, senta a púa!

However, na opinião deste humilde capivara desta vez os acefálicos dirigentes acertaram! Êpa, calma gente, antes do apedrejamento eu gostaria de explanar meus argumentos, posso?... tá, brigadão. Depois, quem quiser que atire a primeira peça.

Em sua essência a lei não foi alterada, mas aperfeiçoada! O texto anterior estabelecia um padrão meio anárquico: o jogador PODE se atrasar até por uma hora, a seu bel-prazer, A NÂO SER QUE o regulamento especifique o contrário. O texto atual dá ênfase a um padrão mais organizacional: o jogador NÃO PODE se atrasar, A MENOS QUE o regulamento permita. Simples.

O novo texto ajuda os organizadores de torneios no sentido de que suas agendas serão obedecidas, os compromissos com os patrocinadores serão cumpridos, etc. Quanto aos enxadristas, basta que cumpram a programação estabelecida. Simples, também.

Na verdade eu não consigo entender essa chiadeira toda. Tudo nesta vida tem regras e horários a cumprir, por que no xadrez seria diferente? Minha vida toda eu cumpri horários: trabalho, futebol, escola, ônibus... até ônibus tem hora pra sair, meu Deus! dá pra acreditar?!

Os recentes episódios "da genial chinesinha que perdeu por WO mesmo estando no salão de jogos" e "do jogador que se levantou da mesa para procurar uma caneta e que também perdeu por WO" não valem como desculpa. Foram fatos isolados e tudo indica que em ambos os casos faltou comunicação, esclarecimento e principalmente bom senso.

Está claro, né pessoal? a ordem agora é organização! Mas claro, se alguém quiser organizar um torneio com aquela "uma hora de tolerância" a FIDE não proibe, basta informar no regulamento e pronto. Então, é ruim a nova regra?

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Petrossian Mineiro

No último post eu fiquei devendo uma partida mais recente do Rogério Fontoura. Consegui as partidas do Aberto do Brasil de Conceição do Rio Verde e pagarei minha dívida. Antes, porém, lembrei-me de um fato interessante que deixei de citar no post passado:

Nos velhos tempos de GV, enquanto eu e a maioria do pessoal jogávamos sempre "partindo pra cima" e atacando de qualquer jeito, Rogério, com seu jeitão tranquilo e sua técnica superior, ia na lenta, na maciota, só cozinhando o galo. Quando a gente menos esperava... vapt na jugular! não dava outra. Por causa disso eu o apelidei de "Petrossian Mineiro". Era molecagem, mas guardadas as devidas proporções, o apelido vem a calhar.

Chega de conversa e vamos à bela vitória do meu mestre sobre o fortíssimo Gazel:



Mais uma do Rogério:

Em nosso bate-papo na semifinal de Nova Lima, no final do ano passado, eu quis saber o que ele andava jogando atualmente, o que estava estudando, etc. Com seu jeito simples e tranquilo ele disse mais ou menos assim: "Tenho jogado peão dama. Não tenho tempo para estudar e não preparo nada. Uso o pouco que sei e escolho meus lances de acordo com a situação do momento. Jogo porque gosto de jogar".

Parece bobagem, mas achei a resposta bastante inspiradora. Principalmente para aqueles que gostam do jogo e às vezes sentem-se desanimados porque não conseguem melhorar o nível! Ora bolas, e daí? Jogar bem, vencer partidas, vencer torneios, todo mundo quer... até eu que sou bobo! Mas se não der, paciência. O bacana é jogar xadrez pelo prazer de jogar xadrez! Mais uma lição de meu mestre!

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Ave, Mestre Rogério!

Certa vez o amigo Fábio deu-me de presente um livro com a seguinte dedicatória: "amigo é o irmão que o coração escolheu". Muito legal, né mesmo? Ter bons amigos é uma benção de Deus! Por isso eu vivo lembrando deles por aqui, sempre que surge a oportunidade.

Hoje eu quero falar de outro amigo dos velhos tempos de GV, Rogério Lemos Fontoura. Antes, porém, peço-lhes a gentileza de uma salva de palmas para ele: clap, clap, clap, clap... o que esse cara tá jogando é brincadeira! Bem, vamos começar do início:

Conheci Rogério em 1984, quando cheguei em Gov. Valadares. Ele era bancário e morava numa república, "que nem eu". Sujeito simples e calmo, boa praça que só ele. Às vezes ele ia pra minha república, onde era mais tranquilo e passávamos horas jogando e falando de xadrez. Nessa época eu só jogava postal, onde podia consultar os livros e o pouco que eu sabia era pura "decoreba". Rogério me ensinou a "pensar" no xadrez. Lembro-me que ele dizia mais ou menos assim "tá certo, o GM jogou isto, mas a gente só aprende se questionar, se verificar por conta própria que o lance é bom". Não eram estas as palavras, mas é por ai. Aprendi muito com ele. Se hoje continuo um capivara de marca maior "não é sua culpa, Mestre!"

Eu, ele e mais alguns amigos batalhamos muito pelo antigo Xadrez Club de Gov. Valadares e fizemos de tudo para divulgar o xadrez na cidade. Muita correria atrás de patrocínio, espaço adequado, material, etc. Não conseguimos grande coisa, mas passamos bons momentos juntos. E foram muitas as tardes que nos juntávamos para rodadas de ping. Bom demais, sô!

Pena que um ou dois anos depois, não me lembro bem, ele teve que voltar para BH, por motivos profissionais. Apesar do pouco tempo de convivência firmamos uma ótima amizade. Tanto assim que, depois que ele se casou foi passar uns dias em GV e eu e a patroa tivemos o prazer de recebe-los em nosso humilde AP.

Em dezembro de 2008 finalmente pude rever o amigo, em Nova Lima, na semifinal do mineiro. Ele estava com a família, a mulher bonita como sempre e os filhos lindos. Só ele continua feio!:-). Batemos um bom papo e ele disse que sempre que pode, e o trabalho permite, joga um torneiozinho aqui, outro ali... e vai levando.

Este ano Rogério anda bastante ativo e "jogando muito". Não me refiro a quantidade, mas a qualidade! Vejam seus últimos resultados:

Classificatório do Campeonato Mineiro/2009 - BH, 21 e 22/03/2009
Classificação Final:
Place Name Score M-Buch.
1 MF Roberto Junio Brito Molina 4.5 10.0
2 Frederico Gazel Cohen Pereira 4.5 8.0
3 MI Wellington Carlos Rocha 3.5 10.0
4 Rogério Lemos Fontoura 3.5 9.0
5 Jorge Elias da Fonseca Aramuni 3.5 8.0

Performance: 3,5 em 5 (+3=1-1)
Perdeu para Gazel (2269) e empatou com MF Molina (2371)

IV Copa dos Inconfidentes - Ouro Preto, 01 a 03/05/2009
Classificação Final:
Place Name Feder Rtg Score M-Buch.
1 MF Luis Ernesto Rodi ARG 2357 6.5 21.0
2 MI Wellington Carlos Rocha BRA 2429 5.5 22.0
3 Rogério Lemos Fontoura BRA 1927 5 20.5
4 Deyvison Pereira dos Santos BRA 1918 5 19.5
5 Maicon Ferreira dos Santos BRA 2022 4 22.5

Performance: 5,0 em 7 (+4=2-1)
Perdeu para MF Luis Ernesto Rodi (2357) e empatou com MI Wellington Rocha (2429)

Aberto do Brasil - Conceição do Rio Verde - 11 a 14/06/2009
Classificação Final:
Place Name Rtg Score M-Buch. Buch.
1 MI Horácio SALDANO DAYER 2449 6.5 22.5 31.5
2 Renan Alves BRANDÃO 1995 6 23.0 32.5
3 Rogério Lemos FONTOURA 1927 5 22.5 32.0
4 Frederico GAZEL 2269 5 20.5 30.5
5 MF Roberto Junio Brito MOLINA 2371 5 20.5 29.0

Performance: 5,0 em 7 (+4=2-1)
Perdeu para MF Molina (2371), empatou com Renan (vice campeão) e venceu Gazel (2269)

Infelizmente não tenho nenhuma partida recente do Rogério, mas se você clicar aqui poderá ver uma das antigas, jogada em 1984, em Curitiba, pelo II Campeonato Brasileiro Interclubes - já comentei sobre isto aqui. Só sei que atualmente o cara tá muito bem! Não fossem os atropelos da vida o capivara aqui poderia estar seguindo seus passos e, talvez, jogando um pouquinho melhor!

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Campeonato Valadarense 2009

O Campeonato Valadarense de Xadrez 2009 está sendo disputado em um novo e interessante formato: Sistema Schuring com os confrontos individuais decididos em matches de 4 partidas. Cada rodada tem a duração de 21 dias e neste período os jogadores emparceirados devem, de comum acordo, marcar e jogar suas partidas. O tempo de reflexão é 1h nocaute para cada jogador. O evento é promovido pelo CXGV - Clube de Xadrez de Governador Valadares.

O encontro entre meus dois grandes amigos Sérgio Luiz de Sousa e Hélcio Armond Jr. terminou empatado em 2 a 2, resultado que considero normal já que as partidas entre eles sempre foram muito disputadas. Nos velhos tempos eu costumava definir este confronto como "a luta entre a teoria e a prática".

Serjão "meu velho" é o teórico. Perfeccionista, está sempre em busca do melhor lance e vive apurado pelo tempo. Eu já falei dele no Recanto, veja aqui.

Hélcio Armond é outro apaixonado pelo xadrez e um cara difícil de derrotar. Sempre foi páreo duro, apesar de nunca ter sido um estudioso de teoria enxadrística. Hoje em dia eu não sei bem como é, mas nos velhos tempos além de funcionário da receita federal e professor universitário ele estava sempre envolvido em eventos sociais e esportivos. Acho que foi, inclusive, assessor da prefeitura municipal. Junte a isso mulher, filhos e o futebolzinho (he he he) que ele sempre "tentava" praticar, não tinha como sobrar tempo para estudar xadrez, né!

A seguir a 4ª e última partida do match "teoria x prática", com comentários de Mário Guimarães e apoio técnico de Ribamar Mota: (clique aqui para acompanhar no visor)

Sérgio Luiz de Souza X Hélcio Armond Jr
Camp. Valadarense 2009

1. c4 Nf6 2. Nc3 e5 3. Nf3 Nc6 4. d3 O mais jogado aqui é disparado 4.g3, para acelerar o roque. h6 Profilaxia típica do Hélcio. Existem lances mais úteis. 5. g3 Bc5 6. Bg2 a6 Outro lance profilático! Até concordo que o bispo de c5 precisa de uma casa de fuga, mas era hora de rocar. Se 7.Na4 Be7 e a perda de tempo será para os dois lados. 7. O-O Ribamar aponta o tático 7.Nxe5, mas eu não gosto do resultado após 7... Bxf2+. d6 8. a3 Be6 Este bispo poderia esperar mais um pouco pra decidir seu futuro, o roque é mais preciso - nós, os capivaras, precisamos manter o foco no básico e só depois é que podemos nos aventurar... 9. Bd2 Falando em profilaxia... eu teria empurrado b4 de uma vez e depois o bispo poderia escolher em qual diagonal gostaria de atuar. Rb8 Tá demorando a rocar, só os mestres podem dar-se ao luxo... 10. b4 Ba7 11. b5 Ribamar não gosta muito deste lance, mas eu gosto. Além de impedir um provável b5 das negras ainda tem a vantagem de atrasar o roque delas. axb5 12. Nxb5 Bb6 13. e4 Ribamar aconselha 13.e3. Serjão deve ter seus motivos... talvez o plano seja reforçar o domínio sobre d5, seguir com Be3, Nh4, f4, etc. No caso de troca dos bispos o peão em e3 protege d4 e abre a coluna f para operações. Qd7 Bom lance, conforme Ribamar. 14. Qc1 O plano que indiquei no comentário anterior (Be3) é considerado melhor por Ribamar. O que será que Serjão pretende? atrasar o roque pela ameaça a h6? Na5 Parece que funcionou! Ainda acho que o roque era mais indicado, a bateria apontada para h6 não mete tanto medo. 15. Qb2 Defendendo-se da ameaça de Nb3, que ganha a qualidade. Bh3? Capivarada que atribuo à falta de conhecimento teórico, além de deixar passar uma tática simples, claro. Um jogador com um pouco mais de traquejo evitaria tal incursão com o próprio rei ainda no centro. 16. Bxh3 Atrai a dama e captura em d6. Se o cavalo for tomado cai o bispo de b6. Qxh3 17. Nxd6+ Ribamar aponta como mais forte 17.c5 dxc5 18. Bxa5 Bxa5 19.Qxe5+ etc., mas ele não considera os fatores tempo e pressão psicológica. E esta sequência é praticamente forçada, ou seja, Hélcio não terá que procurar o melhor lance para se defender. Na minha opinião Serjão escolheu a melhor das opções disponíveis, porque deixa para o adversário a responsabilidade de escolher o menor dos males. Imagine ter no meio da estrutura defensiva um cavalo inimigo que é praticamente um campolina saltador! Kf8? Já errou! Tinha que tomar em d6, eliminando o perigoso cavalo. 18. Qxe5 Numa situação cheia de possibilidades táticas este não é o melhor lance (segundo Ribamar), mas é bom o suficiente para manter a frente. O melhor, no entanto, é que isto é um forte indício de que Serjão está conseguindo resolver seus problemas com o relógio. Se eu o conheço bem ele daria tudo pra ter uns 40 minutos pra analisar esta posição! Bxf2+? Talvez uma tentativa desesperada de recuperar algum material após as trocas, mas um lance assim só pode ser explicado pelo próprio Hélcio. 19. Rxf2 Nc6 20. Qf4 20. Qf5 força a troca das damas e mantém a peça a mais. O lance jogado também é muito bom. Qg4? Por que não tomar o cavalo? com peça a menos fica mais difícil. 21. Nb5 Um bom lance. Se trocar as damas o peão de c7 vai pro saco, se não trocar, vai também! Qd7 22. Qxc7 Mais um peão de vantagem. Qxd3? 23. Nd6 Agora, para evitar o mate imediato, só entregando material pesado. 1-0

Esta partida me mostrou que o xadrez valadarense está um pouco mudado. Nos velhos tempos uma partida entre esses dois costumava ser diferente, isto é, um final com poucas peças e os dois relógios "na tábua da beirada". O Serjão parece que está superando seus apuros de tempo e o Hélcio, que costumava jogar retrancado, tipo 10 na defesa e um atacante recuado, agora resolveu botar as manguinhas de fora e está jogando mais solto, mais atrevido.

É, cambada, lembrar os velhos tempos só faz aumentar a saudade danada que eu sinto docês!

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Feliz Aniversário, parceiro!

Poucos dias antes de meu 52° aniversário sofri uma triste derrota para meu saco de panc, digo, meu parceiro habitual das quintas-feiras. Um capivara que se preza não tem vergonha na cara, então aproveitei o dia do meu natalício para fazer uma homenagem ao meu grande amigo e fiz um post a respeito (ver postagem anterior).

Tá tudo muito bom, tá tudo muito bem, mas a verdade é que a derrota ficou entalada na garganta e eu não podia deixar por menos. Quem bate não se lembra, mas quem apanha jamais esquece! Eu sei que vingança é um sentimento muito feio, mas não posso negar que fiquei com os olhos intumescidos de sangue, clamando pela desforra.

Meus amigos de boteco costumam dizer que "Deus é justo, protege os bêbados e as criancinhas". Acho que estou incluído na primeira parte porque não demorou dois dias pra eu voltar a ser feliz... liquidei o caboclo em 15 lances!

Poucos dias depois, seguindo nosso plano de treinamento, dei outra sapecada no candidato a capivara. Agora, sim, parece que as coisas voltaram ao normal. Com a alma lavada e enxaguada, anuncio o placar atual: +5-1 a meu favor.

Aguardei ansiosamente o dia de hoje para fazer esta postagem. É aniversário do Luciano, poucos dias após o meu, Deus é grande! A partida de 15 lances nem vou mostrar, não tem graça, foi muito fácil. Mostro a outra, que durou um pouquinho mais. Também não é lá essas coisas, mas citando novamente meus amigos de boteco "pra quem é, bacalhau basta!".

Mário Sérgio Guimarães X Luciano Vaz de Melo Reis
Match treino - 70 minutos (clique aqui para ver)
Comentários: Mário Sérgio - Apoio técnico: Ribamar Mota

1. e4 e6 2. d4 d5 3. Nd2 Nc6 Lance desconhecido pra mim. 4. Ngf3 Nge7 Outro lance que achei estranho, por não conhecer a variante. Interessante que este é o lance indicado por Ribamar! 5. c3 Para poder jogar Bd3 sem o perigo de um pangaré por b4. Ribamar indica meu lance como um dos melhores na posição. g6 Continuo achando estranho a forma de desenvolvimento das negras... e Ribamar continua dizendo que é o melhor! Durma com um barulho desse! 6. Bd3 Bg7 7. O-O O-O Até aqui tudo dentro do que Ribamar aponta como melhor. Não demora e começam as palhaçadas, digo, capivaradas. 8. Re1 Um lance óbvio. Ribamar concorda. Rb8 Vocês podem até achar que eu estou de perseguição, mas este é ou não é um lance estranho? E pra não sair da rotina, Ribamar considera normal!! 9. Nf1 É sacanagem de Ribamar, só pode ser. Este lance não está nem entre os 10 melhores, no entanto a diferença na avaliação dele é de menos de 1/5 de peão! E está cheio de lógica, na minha opinião: libera a diagonal pro bispo da dama e o cavalo tem duas boas casas pra usar (g3 e e3) conforme a maré. b5 Apesar de coerente com o lance anterior isto não faz muito sentido. Ribamar continua me dando apenas meio peão de vantagem! 10. Be3 Mestre Riba prefere o avanço e5. Eu tenho outros planos. a6 Perdendo tempo... 11. Qd2 e5 Ribamar aponta este lance como a segunda melhor opção depois de 11... dxe4. Eu considerei um bom lance. A posição resultante e seu desfecho ensinou-me algo interessante, veja o próximo comentário. 12. exd5 Este lance, que está em terceiro lugar na preferência de mestre Ribamar, foi feito mais por instinto do que por qualquer outra coisa. Gastei um tempo enorme tentando calcular as diversas variantes e não cheguei a lugar algum. Quanto mais eu me esforçava mais eu achava que estava deixando passar alguma coisa. A conclusão a que cheguei é que à minha dificuldade de concentração juntam-se agora as deficiências de cálculo e visualização de posições futuras, principalmente em situações complexas, envolvendo capturas diversas, etc. A solução? muito fácil, em situações assim o jeito é levar as partidas para posições mais "limpas", que exijam menos cálculos e mais conceitos básicos. Fácil, né? só falta combinar com os adversários!! Nxd5 13. dxe5 Nxe5 14. Nxe5 Bxe5 15. Bh6 A partir daqui passei a não analisar muito. Preciso recuperar os 20 minutos a mais no relógio. Bg7 É isto ou Re8, que considero mais forte. 16. Rad1 Qf6 17. Be4 Nb6 18. Bg5 Mais um lance rápido. Enquanto ele se preocupa onde colocar a dama eu ganho preciosos minutos no relógio. Qe6 19. Bb1 Ribamar prefere 19.b3 (defende a2 e c4) que vi de relance, mas temi as consequências de 19... Qe5 e, sem protelar muito, fiz o lance. Nc4 20. Qc1 O fato de continuar atacando a dama negra fez com que eu jogasse isto de imediato. Qc6 21. Be4 Novo lance rápido, para faze-lo gastar tempo, enquanto faço a madame dançar. Qb6 22. Ne3 Aqui eu gastei algum tempo considerando as consequências da troca... e gostei do que vi. Nxe3 Achei que ele aproveitaria a oportunidade para fazer o "padreco preguiçoso" trabalhar (22... Be6). É isto que mestre Ribamar aconselha. 23. Bxe3 Agora ficou ruim pra encontrar um local seguro pra madame. Qe6 Ôpa, acho que Luciano prefere manter a vantagem no tempo. Bem, até que ele gastou um tempinho, mas se tivesse olhado com carinho teria visto que aqui não é um bom lugar para a moçoila. 24. Bc5 Claro que com 24.Ba7 eu ganho a qualidade, mas o tempo tá curto e eu preciso de algo mais. Aqui também ganho a qualidade e a possibilidade de um ataque de mate é maior. Qxa2? Não resistiu e tentou alguma compensação pela qualidade. Péssima escolha. 25. Bxf8 Bxf8 Qualquer coisa é ruim. 26. Rd8 Kg7 27. Bd5 Qa5 28. Ree8 Era mais forte 28.Rxf8, mas o lance do texto é suficiente. 1-0

Feliz Aniversário, parceiro!