quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Tiradentes (6) Quinta Rodada

Última rodada do torneio. Olhei o emparceiramento, analisei a classificação e cheguei à conclusão de que um empate era suficiente para garantir uma vaga na semifinal. Eu iria enfrentar o Arthur Webler, aluno do Carlos Alessandro. Eu sabia que o garoto era osso, Carlos havia comentado que ele estava jogando bem e vinha progredindo muito ultimamente. Juntei a fome com a vontade de comer e fui para o jogo com a idéia de jogar meia dúzia de lances e oferecer empate.

Começamos a partida e notei uma coisa estranha. Esse garoto tá querendo me intimidar, impressionar ou o quê? Será isto um tique nervoso? Deficiência na coordenação motora? No lance 4 ele "bateu" o peão na casa e4. No lance seguinte eu pensei que ele fosse cavar um buraco em d4! Eu, hem, Rosa! Fiquei sem saber se ria ou se chorava. Se o objetivo era me desconcentrar, missão cumprida! Mais tarde, respondendo à pancada em b4, empurrei mansamente o peão de a7 até a5. Parece que funcionou, a partir daí o jogo voltou ao normal.

No fundo aquilo me aborreceu, não acho legal esse tipo de recurso extra-tabuleiro, ainda mais vindo de um menino que mal largou a chupeta. Acabei mudando a estratégia: não vou propor empate. Nem que a vaca tussa! Sabe-se lá a reação do garoto?! Respirar fundo, manter a serenidade e jogar xadrez!

Voltando à partida, joguei uma abertura meio despretensiosa (8... Re8 é esquisito) mas igualei o jogo com 9... a5. Tentei ganhar espaço na ala da dama e preparar contrajogo na outra ala, mas não achei os melhores lances. Minha sorte foi que ele também deixou a desejar. A ruptura 20... c6 foi correta, mas 21... Ba6 foi fraco. Ele retribuiu com 22.h3? (22.Qb6 complicava minha vida) e após 23... c5 eu já estava melhor (cai o peão de c4). O garoto analisou por uns 10 minutos e ofereceu empate. Aceitei prontamente, garantindo meio pontinho e a classificação. Se eu parasse pra pensar poderia cair na tentação de passar-lhe um corretivo. Seria uma grande besteira tendo somente 15 minutos no relógio.

Após a partida, conversamos um pouco e tiramos algumas fotos. O garoto foi até simpático e eu resisti ao desejo de perguntar-lhe sobre "aquilo". Deixa pra lá, ele é novo, ele aprende. ;)







Arthur Webler x Mário Guimarães

Rápido post-mortem, com a presença do jovem Caique Reda, um futuro campeão.





***

A classificação da abertura está errada no visor, como sempre.
O correto é E94 - Índia do Rei
***

6 comentários:

Sir Augusto disse...

To sempre acompanhando mas comentando pouco rsrsrs, meu tempo está bem escasso

Rapaz, n sabia dessa mania dele não, as últimas q joguei foi na internet!

Bom, vc jah sabe q fez bonito no torneio e já tá na semifinal!
Qm sabe em 2009 a gte n se encontra por lá? rsrs

Grande Abraço, fica com deus!
Ótimas partidas =]

Masegui disse...

Oi Daniel,

Tudo bem? tá metendo a cara nos estudos, né? ótimo!!

Obrigado pela força!

Saiba que aquele convite continua de pé, ok? É só a gente combinar.

Obrigado e um grande abraço.

pollicino disse...

Ciao sono passato per saluterti con tutti i tuoi amici.Un saluto dall'Italia,ciao, Eugenio

Masegui disse...

O pior é que eu não entendo bulhufas de italiano...!

Arthur disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Arthur disse...

Hahaha. Minha mania de jogar rápido não foi premeditada contra você não. Era simplesmente consequência de ficar muito ansioso enquanto eu jogava xadrez, eu manifestava isso de muitos modos (nessa época eu não conseguia parar de estalar meus dedos em qualquer torneio, inclusive na foto que você tirou).

Engraçado vc dizer isso ^^. Umas duas rodadas antes eu tinha jogado contra o Marcelo Moura, que também notou meus tiques. Ele me deu um esporrinho de leve XD, falou que eu tinha que ficar mais "zen" pra jogar melhor.

Agora, mais maduro, eu fico relax. Queria poder ver um vídeo de mim jogando nessa época. Devia ser estranho. Se bem que eu ainda movo minhas peças meio rápido.